terça-feira, 20 de julho de 2010

A DIGNIDADE DO PUNHAL DE PRATA

Um pouco lúgubre... rsrs Passeando por temas novos... E que me intrigam bastante...

No escuro o silvo,
Do punhal de prata,
Frio gélido obscuro,
Lindo mesmo quando mata.

A esquina grita,
Os cantos correm,
Não sobra ninguém,
Os que ficam morrem.

Labareda em sonhos,
cálidas mãos quentes,
Na realidade queima,
Fere quem a sente.

Esgueiram-se ratos,
Insinuam-se os gatos,
Baratas são rainhas,
Desse mundo rastejante.

E largado ao lado,
Ferido em sua dignidade,
O punhal de prata,
É vermelho de humilhação,
E rubro de mortalidade.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

LADRÃO DE SONHOS

Noticiário de domingo, Drogas, Crimes, Contos do Vigário, Golpes, ludibriar é uma arte em constante crescimento. Não é à toa que todos conhecem Malasartes. Pensando nisso, poemei sobre o Ladrão de Sonhos, personagem muito interessante. Tão letal para o arrogante e ganancioso quanto inócuo para o realista e humilde. Só ganha de quem quer ganhar dele, é na verdade um espelho invertido... Vamos lá.

Insidioso, maneiroso, traiçoeiro e garboso,
Na beira e no canto,
Se esgueira sestroso.

Sedutor, só fala o que se quer ouvir,
Na lapela a flor,
Meio murcha a sorrir.

Sua casca é linda,
Seu perfume cheio de promessas,
Ele todo um convite,
À quebra de regras.

E os incautos, com a coragem decorrente da ingorância,
Acreditam em seus cartazes,
Inebriados de arrogância.

Jamais questionam ou se perguntam,
Jamais duvidam ou avaliam,
Apenas compram o bilhete oferecido,
Mesmo amassado e vencido.

Diz o costume, há longo propagado,
Que apenas o muito esperto,
É assim enganado.

Pois pensa que está em vantagem,
Saindo na frente e ganhando de todos,
Ao comprar o bilhete,
De sedutor tão garboso.

E depois que passa a vertigem,
O transe inebriante,
Percebe o incauto amigo,
A verdade mortificante.

A promessa oferecida,
Por esse malandro de chapéu côco,
Tem validade vencida,
E tem miolo oco.

Na verdade, os prêmios, presentes e brilhos,
Que você pensa ter ganho,
Foram na verdade pagos,
Com seus mais lindos sonhos.

Vem fácil, vai fácil,
Escorre do bolso furado,
A moeda mais lustrosa,
É alumínio amassado.

Mas a cada venda ou negócio, que realiza o Ladrão,
Sai contente e feliz,
Assovia sua canção,
Que laranja madura,
Na beira da estrada,
Ou já tem dono,
Ou tá boa não,
E promessas tão boas,
Quase de "irmão",
Se o fossem de fato,
Não estavam à disposição.

domingo, 20 de junho de 2010

CANÇÃO DO BALÃO

Meu coração chorou vendo da janela o morro dos Cabritos queimando, as chamas tornaram a noite clara, e o cheiro de madeira queimada chegou até nós. Uma tristeza sem tamanho, ainda mais porque a causa disso tudo foi a irresponsabilidade de soltar um balão. E me fez lembrar de um episódio que assisti quando era menina... vai ele, poemado:

O dia acaba,
Lá no canto o sol vai indo,
E a turma ali na rua,
Vai curtindo seu finzinho.

Já pularam corda,
Já correram, já jogaram,
Mas traçar seus planos,
Isso apenas começaram.

“Pro meu pai,
Vou pedir uma bicicleta”,
“E eu quando crescer,
Quero ser um atleta”.

“Eu não quero,
Nunca mais ter que estudar”,
“Pois eu o que quero,
É pra sempre viajar”.

E os planos continuam,
Coloridos e infinitos,
Até que um dos amigos os assusta,
Sem que desse um grito.

“Grande e colorido,
Vou soltar o meu balão,
Lá no alto vai ser um rei,
Vai parecer um avião!”

E todos se perguntam,
O choque em seu coração,
Com todas as queimas no mundo,
Como alguém quer um balão?

Mas o menino,
Certo em sua contra-mão,
Defende o seu egoísmo,
Não cede a sua posição.

"Se meu balão eu não soltar,
E desistir do meu corcel do ar,
Outro vem e ri de mim,
Solta outro em meu lugar".

Não, não, não,
Insistem os amigos,
Você esqueceu dos perigos?

Mas o menino correu,
E soltou o seu balão,
Colorido e iluminado,
Lindo como canção.

Porém logo em seguida,
Caiu lá do alto o balão,
Queimou e esturricou florestas,
Destruiu de montão,
De verde virou marrom,
Destruiu tudo de roldão.

Infelizmente o menino não entendeu,
Que cada um faz diferença,
Para cuidar do que é meu,
E também do que é seu.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

BORBOLUZ

BORBOLUZ - A história da Borboleta de Luz

Bate a asa a borboleta,
Rasgo de cor e de luz,
Corta o canteiro certeira,
É o vento quem a conduz.

Ela não pertence a nada,
Ela não é de ninguém,
É das flores a fada,
Vai para onde convém,
O seu nome é Borboluz,
E essa é a missão que ela tem.

Rainha do céu azul,
Princesa das flores e cores,
Nada a prende à terra,
Não conhece temores.

Suas asas furtam a cor,
Das flores que visita,
Se mimetiza de roxo,
Se pinta de vermelho,
Pode ser rosa ou verde,
E brilhar de amarelo.

E bate asa e brilha luz,
Carrega consigo a certeza,
Da alegria que produz.

Sua magia é colorir,
Com sua breve passada,
A terra seca e triste,
Pela mágoa marcada.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

SOLIDÃO ACOMPANHADA

SOLIDÃO ACOMPANHADA

Nos braços frios do escuro,
Procuro a brecha no muro,
Que vai me levar a ti.

Te escondes só do outro lado,
Fechado em copas, quadrado,
Perdido em ti.

Como se pode estar só acompanhado,
Pelo destino arrastado,
Trazido de volta aqui?

Bato com força na porta,
O quadro na parede torta,
Perigando cair.

Mas do outro lado do muro,
Está o teu próprio mundo,
Que nem no murro eu abri.

E choro só a teu lado,
Coração devastado,
De saudade de ti.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

CORAGEM

CORAGEM

A coragem,
É a ausência total do medo?
É pelo escuro,
O desprezo?

Ser bravo,
É ser forte,
Ou ser zangado?
É rir do corte,
Ou chorar calado?

A audácia,
É a força motriz
Da superação?
Ou a pedra
Que te dá um tropeção?

Na verdade a diferença é tênue,
Singela, quase tem não,
Entre coragem e temeridade,
Tudo vem de como se avalia a questão.

O temerário nada teme,
Ou pelo menos assim ele se vê,
Não percebe a singela lindeza,
Que é ao Medo vencer.

Já o Medo é ingrediente,
Faz parte da alma vivente,
Tempera da conquista o sabor,
E a Coragem é a espada que corta o medo,
Que muda a corrente,
A seu favor.

E não há coisa mais linda,
Do que a força de ultrapassar,
Aquele medo quase paralisante,
Lá da frente para trás olhar,
Com a alma aquecida pela vitória,
Que nos renova para mais uma vez,
Lutar.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

COINCIDENCIANDO

Pensando na frase de Einstein: "A coincidência é a forma escolhida por Deus para permanecer anônimo" me bateram alguns sentimentos, bonitos uns, contraditórios outros... Poemei... rs

COINCIDENCIANDO

Imenso, azul, intenso,
A roda do mundo gira,
Giram seus participantes.

Sozinhos, diversos,
Reunidos em grupos,
Acreditam neste, naquele,
Em nada ou em tudo.

Uma busca infinita,
Um achar constante,
Um perder errante.

Cada fato, cada momento,
É etiquetado, nomeado e definido,
Porque na busca das razões,
Acontecimentos se tornam sinais
Ou também explicações.

Mas acima de tudo isso,
Sobre todos essas situações,
Paira um pequeno medo,
Que às vezes penetra alguns corações.

Medo da solitude,
Medo da solidão,
Da ausência de motivo,
Da falta de razão.

Medo de que tudo seja à toa,
Medo de que não haja nada não,
De que não há ninguém olhando por nós,
De que não tenha ninguém no timão.

Mas aos poucos vamos entendendo,
Uns antes, outros não,
De que não estamos sozinhos,
De que há sim uma razão.

Para alguns vem de Alguém,
Para outros vem de roldão,
O que chamam de acaso,
Pode ser motivo ou explicação.

Mas fecho com a frase,
Que me aqueceu com a emoção,
Pois dita por um ateu,
Causa espécie e sensação:
Dizendo que Coincidências,
Na verdade nada mais são,
Do que a forma escolhida por Deus,
Para agir diretamente,
Sem precisar explicar a razão!