domingo, 2 de outubro de 2011

Certas Coisas

Certas coisas,
essas coisas,
que descoisam o nosso coisar...

Como defino frustração, decepção e pezar??

Creio em vida, creio em luz,
Creio em mim nesse lugar,
Sei que o ouro que me espera reluz,
Está logo a frente a me chamar.

Mas também sei que no enquanto, no caminho daqui até lá,
Fico muitas vezes cansada,
De ver, ouvir e até pensar.

Não posso evitar de frustrar o outro,
Nem posso a todos poupar,
Só posso lutar com todas as forças,
Para meus valores preservar,
Crendo que no caminho do que é certo,
Minha bandeira de meta está a flamejar.

E me retroalimento de força,
Me renovo em desgosto,
Me recrio em despojo,
Supero e impero,
Minha força, meu lutar.

O desafio é do joio,
O trigo separar,
É da balança eterna,
Ter força para escapar,
Encontrar meu rumo próprio,
Onde não há mais nada a provar.

Nesse dia meus sonhos, meus planos,
Serei eu a alcançar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O GUERREIRO AZUL

Uma breve homenagem a William Wallace e a tantos outros guerreiros, com nome e anônimos, que fazem da coragem não uma atitude simples, mas o auge da superação humana. Que mostram que o medo existe, mas que podemos superá-lo. E nos motivam a cada dia, quando enfrentamos as nossas próprias batalhas.

O GUERREIRO AZUL

Brada o guerreiro,
Rasgando a tarde fria,
Seu grito avançando à frente,
No caminho lhe serve de guia.

Sabe o que lhe espera,
Sente o cheiro da guerra,
Suas narinas inflam,
Captam eletricidade do ar.

E ele corre,
A grama corre,
O vento corre,
O grito morre.

À frente são muitos,
São tantos e tantos,
E os seus são poucos,
As armas toscas, os mantos rotos.

Mas o guerreiro urra,
Levanta a espada e saúda,
Sua gargalhada fria,
É punhal no medo.

A coragem é vinho,
Que lhe aquece as veias,
Já não está sozinho,
Outros saltam das aléias,
Ainda poucos e esparsos,
Caçam as "aranhas" nas próprias teias.

O fim da história não importa,
Quem ganhou, nem quem perdeu,
O que conta é que o guerreiro,
O medo mais profundo venceu.

E os bardos, trovadores,
Contadores de história, professores,
Contam aos novos a toada,
Do guerreiro mais humano,
A empunhar uma espada.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

CONDÃO DO PERDÃO

De verde se veste a esperança,
Que rasga e costura meu coração,
O medo de estar errada me alcança,
Mas a conquista será canção.

Quero crer na verdade e nos olhos,
Daqueles que me esticam as mãos,
E mesmo quando meus dedos hesitam,
Me agarro com força ao perdão.

É bálsamo poderoso,
Curativo em unção,
Mas requer uso cuidadoso,
O delicado perdão.

Usado em excesso se dispersa,
Não tem mais efeito então,
Porém quando fica sem uso,
Se torna um muro que isola o irmão.

Mas existe uma medida,
Calculada com precisão,
Onde o perdão alivia,
Transmuta e extingue a pressão,
Se torna a chave da porta,
Que fecha o muro e liberta o irmão,
Cala o aflito e atenua,
O sofrimento, o perdão.

E todos temos conosco,
esse tão lindo condão,
Que nos faz uno e sólidos,
Que nos torna irmãos.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

TRADUÇÃO DE UM CORAÇÃO

Para o Blues o "blue" (tristeza) é combustível, para quem faz poesia (não me atrevo a me intitular poeta) também... Mas hoje, um dia tão bonito (por nada em especial e por tudo de maneira geral), escrevi porque me sinto bem... :) Quem sabe leio esse nos dias de blues...

Sol e Luz,
Cobalto Azul,
Meu céu traduz,
Em cor, o meu coração.

Hoje, desejo e sonho,
Privilégio de alguns dias,
Em que nesgas de cor,
Rasgam o cinza incolor.

Agradeço então,
Valorizando a preciosidade,
De hoje, somente hoje, e talvez amanhã,
Acreditar na felicidade.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A DIGNIDADE DO PUNHAL DE PRATA

Um pouco lúgubre... rsrs Passeando por temas novos... E que me intrigam bastante...

No escuro o silvo,
Do punhal de prata,
Frio gélido obscuro,
Lindo mesmo quando mata.

A esquina grita,
Os cantos correm,
Não sobra ninguém,
Os que ficam morrem.

Labareda em sonhos,
cálidas mãos quentes,
Na realidade queima,
Fere quem a sente.

Esgueiram-se ratos,
Insinuam-se os gatos,
Baratas são rainhas,
Desse mundo rastejante.

E largado ao lado,
Ferido em sua dignidade,
O punhal de prata,
É vermelho de humilhação,
E rubro de mortalidade.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

LADRÃO DE SONHOS

Noticiário de domingo, Drogas, Crimes, Contos do Vigário, Golpes, ludibriar é uma arte em constante crescimento. Não é à toa que todos conhecem Malasartes. Pensando nisso, poemei sobre o Ladrão de Sonhos, personagem muito interessante. Tão letal para o arrogante e ganancioso quanto inócuo para o realista e humilde. Só ganha de quem quer ganhar dele, é na verdade um espelho invertido... Vamos lá.

Insidioso, maneiroso, traiçoeiro e garboso,
Na beira e no canto,
Se esgueira sestroso.

Sedutor, só fala o que se quer ouvir,
Na lapela a flor,
Meio murcha a sorrir.

Sua casca é linda,
Seu perfume cheio de promessas,
Ele todo um convite,
À quebra de regras.

E os incautos, com a coragem decorrente da ingorância,
Acreditam em seus cartazes,
Inebriados de arrogância.

Jamais questionam ou se perguntam,
Jamais duvidam ou avaliam,
Apenas compram o bilhete oferecido,
Mesmo amassado e vencido.

Diz o costume, há longo propagado,
Que apenas o muito esperto,
É assim enganado.

Pois pensa que está em vantagem,
Saindo na frente e ganhando de todos,
Ao comprar o bilhete,
De sedutor tão garboso.

E depois que passa a vertigem,
O transe inebriante,
Percebe o incauto amigo,
A verdade mortificante.

A promessa oferecida,
Por esse malandro de chapéu côco,
Tem validade vencida,
E tem miolo oco.

Na verdade, os prêmios, presentes e brilhos,
Que você pensa ter ganho,
Foram na verdade pagos,
Com seus mais lindos sonhos.

Vem fácil, vai fácil,
Escorre do bolso furado,
A moeda mais lustrosa,
É alumínio amassado.

Mas a cada venda ou negócio, que realiza o Ladrão,
Sai contente e feliz,
Assovia sua canção,
Que laranja madura,
Na beira da estrada,
Ou já tem dono,
Ou tá boa não,
E promessas tão boas,
Quase de "irmão",
Se o fossem de fato,
Não estavam à disposição.

domingo, 20 de junho de 2010

CANÇÃO DO BALÃO

Meu coração chorou vendo da janela o morro dos Cabritos queimando, as chamas tornaram a noite clara, e o cheiro de madeira queimada chegou até nós. Uma tristeza sem tamanho, ainda mais porque a causa disso tudo foi a irresponsabilidade de soltar um balão. E me fez lembrar de um episódio que assisti quando era menina... vai ele, poemado:

O dia acaba,
Lá no canto o sol vai indo,
E a turma ali na rua,
Vai curtindo seu finzinho.

Já pularam corda,
Já correram, já jogaram,
Mas traçar seus planos,
Isso apenas começaram.

“Pro meu pai,
Vou pedir uma bicicleta”,
“E eu quando crescer,
Quero ser um atleta”.

“Eu não quero,
Nunca mais ter que estudar”,
“Pois eu o que quero,
É pra sempre viajar”.

E os planos continuam,
Coloridos e infinitos,
Até que um dos amigos os assusta,
Sem que desse um grito.

“Grande e colorido,
Vou soltar o meu balão,
Lá no alto vai ser um rei,
Vai parecer um avião!”

E todos se perguntam,
O choque em seu coração,
Com todas as queimas no mundo,
Como alguém quer um balão?

Mas o menino,
Certo em sua contra-mão,
Defende o seu egoísmo,
Não cede a sua posição.

"Se meu balão eu não soltar,
E desistir do meu corcel do ar,
Outro vem e ri de mim,
Solta outro em meu lugar".

Não, não, não,
Insistem os amigos,
Você esqueceu dos perigos?

Mas o menino correu,
E soltou o seu balão,
Colorido e iluminado,
Lindo como canção.

Porém logo em seguida,
Caiu lá do alto o balão,
Queimou e esturricou florestas,
Destruiu de montão,
De verde virou marrom,
Destruiu tudo de roldão.

Infelizmente o menino não entendeu,
Que cada um faz diferença,
Para cuidar do que é meu,
E também do que é seu.